
Finalizo anunciando que a próxima postagem irá trazer um ótimo "Papo Xapuriense" que realizei na última quarta-feira (28), com Rubens Santana, o Rubinho.
O olhar de um xapuriense sobre Notícias, Entretenimento, Esporte, Cultura, Política e curiosidades em geral.
Nota de repúdio
O ser humano desde que se entendeu por gente busca um espaço frente a essa sociedade que se organiza e se torna, com o passar dos tempos, uma selva de pedra. As pessoas se entenderam como gente mais não se humanizaram, deixaram seus valores, caráter, personalidade, afeto, amor, consideração pelo próximo no mar do esquecimento, esses sentimentos foram banidos de sua vida diária, dão mais valor ao status, ao dinheiro, as luxúrias, a vida fácil, mesmo que isso custe o entendimento, o diálogo, o bom senso, a comunhão, a união.
Não ver, até na educação, nas escolas, lugar de pessoas ditas esclarecidas, de pessoas que deveriam não se deixar alienar pelas palavras malditas, pelas mentiras e mediocridades, mas mesmo lá entre os ditos educadores, encontramos pessoas que estão sofrendo da Síndrome de Hitler, a busca do poder a força ou pela força. Parecem que se tornaram deuses, insensíveis, frios que só pensam em si mesmo. É indignante.
E é em nome de minha indignação que decidi fazer essa nota de repúdio.
Ontem, dia 08, quinta-feira, foi o dia da eleição para diretor das escolas, fiquei sabendo de algumas barbaridades que estavam acontecendo nos bastidores desse processo eletivo, mas o que mais me indignou, e o que me fez decidir por essa nota de repúdio foram os acontecimentos que se passavam na Escola Madre Gabriela Nardi.
Consegui coletar algumas informações e o que descobri foi que há um grupo de pessoas na escola que estão a frente do trabalho há oito ano. Pessoas, segundo o que soube, não vem fazendo um trabalho satisfatório, basta ver os resultados do IDEB e essas outras provas que chamam de avaliação externa, basta observar o horário em que as crianças estão indo para aula para ver algumas atravessando o rio para estudar na Escola Plácido de Castro, se existe a Gabriela Nardi porque atravessam para a Plácido? E mais, basta passar pela escola e observar que quando o professor não falta, solta os alunos cedo, isso quando não fica em bancos sentados, conversando enquanto as crianças ficam como gladiadores, se machucando, se ferindo.
E agora para permanecerem no poder, e ai pergunto, por status, pelo dinheirinho a mais que recebem no final do mês ou com outras coisitas mais? Por que mesmo? Por que persuadiram, inflamaram, inventaram, mentiram sobre uma professora, uma pessoa que também é da educação?
Isso mesmo, a comunidade escolar, os amigos, os conhecidos, os que de longe conhecem a candidata que era da Escola, se sentem ofendidos, com a humilhação, as ofensas, as mentiras que fizeram com que a mesma passasse. Uma pessoa que estava só, só com sua força de vontade, coragem e honestidade, querendo provavelmente fazer as coisas de maneira correta. Digo assim, porque não vi carro de som, cabo eleitoral, adesivos, pessoas e mais pessoas em esquinas e esquinas fazendo campanha como eu vi e como muitos viram em algumas outras escolas. Mas acreditem, esta professora foi friamente e maquiavelicamente perseguida e humilhada.
Segundo o que fiquei sabendo, o próprio diretor, junto com um professor que está em sala de aula, foram de casa em casa, conversando com os alunos dizendo para eles não votarem na candidata, foram às casas dos pais e ou responsáveis para dizer que a candidata é perseguidora, é rígida, é prepotente, que deixaria as crianças sem recreio, que perseguiria àqueles que a descobrisse que não votou nela, ou seja, deixaram seus afazeres para fazer a campanha do contra.
Gente, esse é o cúmulo do absurdo. A impunidade vai continuar reinando, o trono vai continuar sendo desses que estão causando mazelas no processo educativo. Sr. Diretor, Sr. professor e quem mais faz parte dessa máfia de mal caráter não tinham nada o que fazer durante o dia em tiraram para ir nas casas mentir? Professor quer dizer que o senhor saiu da sala de aula para fazer campanha contra? E seus alunos estavam fazendo o que? Foram liberados? E no dia da eleição também foram liberados?
Pergunto isso, porque ao saber da injustiça que estavam cometendo, não pude deixar de passar aos arredores da escola, e o que vi foi a candidata sendo perseguida por um professor que deveria está na sala de aula, lecionando, ensinando, ou pelo menos brincando de ensinar e não servindo de espião. Mas pergunto: _ o senhor sabe ensinar? Ah sim, o B A BA, certamente, porque valores, honestidade, dignidade, o senhor conclusivamente nem sabe do que estou falando, não é mesmo?
Descobri em minhas andanças e conversas com as pessoas que essa cúpula já está formada há algum tempo e que fizeram o mesmo com pessoas como a professora Suélia e a professora Neves, fizeram tal qual agora, mentiram, persuadiram, tiraram tempo do tempo que seria par educar, que seria para ensinar, para olhar os alunos, para por em prática projetos educacionais que valorize o profissional e a comunidade escolar, para cuidar e zelar do bem público que é a escola, tiraram um tempo desse tempo para fazer campanha do contra.
Eu pergunto, o que vocês querem? O que pretendem?
E ainda... o que é que falta para a professora Vaniscléia, conhecida como Vani, isso para os amigos, certamente, não pra vocês, o que é que falta, pois até onde sei foi a candidata que fez a maior pontuação na prova que dá direito a pessoa se canditar, sei que é uma pessoa competentíssima, inclusive, palavra utilizada pelo blogueiro Raimari em uma nota quando a mesma saiu da Secretaria de Educação, uma pessoa responsável e comprometida com a educação, com o ensino e com a aprendizagem. Estão com medo de que?
Por fim, peço a todos que tiverem a oportunidade de ler essa nota, que não se calem, que falem, que façam alguma coisa, qualquer coisa que seja contra estes que implantaram a discórdia e a mentira. Gestores da Madre Gabriela Nardi, professor, máfia, chega, parem por aí, vocês já foram longe demais.
CHEGA.
Chega de impunidade, chega de não fazer nada, chega de ficar calado frente a essa falta de caráter, chega de deixar o silêncio por resposta.
C-H-E-G-A.
Depois da troca dos silicones dos seios e complicação nos pontos da cirurgia, Andressa Soares, a Mulher Melancia, fez seu primeiro show sem o sutião cirúrgico. A morena dançou normalmente, empolgando os fãs que lotaram seu show em Brasilândia, no Acre, na noite deste sábado, 3. "Foi meu primeiro show em o sutiã cirúrgico. Me senti mais leve. Mas ainda não posso fazer nenhuma coreografia completa", disse Melancia, que foi recebida com uma faixa "Comissão de frente: DEZ!".
"Brincadeira! Ontem à noite, alguns Policiais Militares realizaram uma revista em uns jovens que estavam na Praça São Gabriel. Segundo um dos policiais que estava de serviço, receberem uma denúncia que os jovens estavam quebrando e bagunçando no local. O q realmente estava acontecendo era uma simples brincadeira em comemoração ao aniversário de um amigo. Todos os jovens que se encontravam alí são evangélicos, e enquanto uns jogavam UNO, os outros corriam atrás do irmão p quebrar uns ovos em sua cabeça (brincadeira que é muito comum e feita por muitos) . Não estou aki p falar mal da PM, mas para protestar, pois sabemos do problema das drogas que o nosso município enfrenta. Todos os dias vários jovens se reúnem ao lado da quadra próxima ao batalhão e fumam cigarros de maconha tranquilamente, enquanto jovens que estavam somente fazendo uma brincadeira são revistados como bandidos! Fica aki o meu protesto! Que Deus abençoe a nossa Polícia Militar!!!" (Diego Ferraz)
"Quero mostra meu repudio a ação exercida pelas autoridades xapurienses na noite de ontem (23.11.2011), enquanto uma ação de cultura (tacar ovo no dia do aniversario), é tida como SUJAR A CIDADE!! a ação de cultura(cavalgadas), não é, vejam bem senhores: ovada suja muito menos do que vários quilos de MERDA de cavalo espalhados por toda Xapuri! Pois a partir de hoje Eu exijo que tampem o C.... dos cavalos nos dias de cavalgada, se não tacarei ovo sim em meus maravilhosos amigos!!! Pois tenho eu, isso como uma demonstração de AMOR, ALEGRIA, AMIZADE E CARINHO. muito obrigado! :D" (Abias Nascimento)
"Xapuri ta perdida mesmo. Enquanto muitos ficam nas praças fazendo baderna, bebendo e se drogando as autoridades deixam passar por despercebido, e uma simples brincadeira de aniversario tradicional em Xapuri virou caso de policia com direito a bacu,cassetete na mão dos policiais e tudo. Não imaginávamos que a brincadeira de jogar ovo em um colega viraria humilhação pelos policiais em via publica e ameaças de passar a noite na delegacia." (Eumar Queiroz)
"Indignada até agora : As vezes penso que fazer as coisas erradas é bem melhor que as CERTAS. Quantas vezes passamos pelas praça, ruas e vemos vários jovens bebendo , usando drogas, bicicletas são roubadas e tantas outras coisas ERRADAS acontecem , e o que as AUTORIDADES fazem ???????????? Mas qndu resolvemos jogar UNO na praça, conversar, brincar , fazer coisas que não trazem mal a ninguém somos tratados como bandidos. Usar sua AUTORIDADE é CORRETO, mas ABUSAR dela ... isso é totalmente ERRADO .Todos ali eram maiores de idade e trabalham e estudam, por isso procure fazer o certo com as pessoas certas." (Guthiane Melo)
Meu comentário sobre esse episódio é que conheço a maioria dos jovens envolvidos e posso de antemão garantir que vândalos ou arruaceiros certamente eles não são. Pelo contrário, são jovens evangélicos que não possuem vícios e que dedicam o tempo livre que têm para se dedicar a sua fé.
Da mesma forma que conheço os jovens, também conheço muitos dos policiais militares de Xapuri e sei que a maioria da corporação não compactua com ações truculentas e excessos. O certo é que esse episódio precisa ser investigado pelas autoridades competentes e se houve excesso, que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
O deputado Manoel Morais (PSB), que é funcionário de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão que vem agindo com mão de ferro, aplicando pesadas multas aos pequenos produtores do Estado, aprovou o título de Cidadão Acreano ao empresário Mário Lauro Lysakowshi Santin, madeireiro que vem sendo acusado por posseiros de ser o maior devastador de florestas do Acre.
O título de Cidadão Acreano é considerado uma das maiores honrarias do Estado e é concedido a pessoas que tenham contribuído e colaborando com o crescimento e desenvolvimento do Estado do Acre. A Laminados Triunfo, de propriedade do homenageado, Mário Lauro Lysakowshi Santin é acusada de ter cometido crimes ambientais nas áreas autorizadas pelo governo para exploração de madeira, através de projetos de manejo.
Mesmo tendo em suas atribuições funcionais como servidor do Ibama a proteção do meio ambiente, o socialista Manoel Morais já demonstrou simpatia pelo madeireiro Santin, fazendo a defesa da Laminados Triunfo, chegando a afirmar que a obstrução de dois mananciais, no seringal São Bernardo, pela empresa, seria mentirosa, apesar da divulgação das fotos e dos vídeos, sobre o crime ambiental cometido por Mário Lauro Lysakowshi Santin.
Santin, que aparece em matérias de revistas de circulação nacional como autor de crimes ambientais em projetos de manejo florestal, no Acre será homenageado pelo poder legislativo e pelo funcionário do Ibama, que está deputado, Manoel Morais em cerimônia realizada no mês de dezembro, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Mário Santin é a prova de que em alguns casos, crimes contra a natureza são premiados com honrarias.
Quando a Laminados Triunfo, do empresário Mário Santin foi multada em R$ 1 mil – pelo Imac, Manoel Morais saiu em defesa da madeireira, destacando que a empresa estaria sendo injustiçada.
Resposta da assessoria do deputado:
O deputado estadual Manoel Moraes (PSB) que através do projeto de lei 66/2011 concedeu o titulo de cidadão acreano a Mário Lauro LysaKowsKi Santin afirma que está sendo vitima de um equivoco e que continua mantendo firme a posição em defesa do meio ambiente.
O deputado socialista afirma que foi vítima de uma reportagem equivocada. O parlamentar garante que tem mantido na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) a mesma postura que sempre teve em defesa do meio ambiente e do crescimento do Estado. “Tenho me esforçado para fazer um bom trabalho na Aleac e ao conceder o título de cidadão a Mário Santin, dono da empresa Ouro Verde, eu quis fazer justiça a este homem que muito tem contribuído com nosso Estado”, declara.
Ao fazer este esclarecimento o deputado quer por de uma vez por todas fim nas especulações de que teria concedido titulo de cidadão acreano ao dono da Laminado Triunfo, acusado de desmatamento. “O Jandir Santin está sendo acusado nesta causa do Antimary. Não o defendo nem o acuso, na verdade nem mesmo o conheço. Sei também que todo mundo tem direito a defesa, mas o que precisa ser esclarecido aqui é que o Mario Santin é um empresário que de nada tem sido acusado e tão pouco provas que desabonem a sua conduta.”, diz.
segundo o deputado, Mario Santim é gaúcho que mora no Acre há mais de 15 anos, trabalhando no Alto Acre e Rio Branco onde é dono da empresa Ouro Verde.
Gina Menezes
Assim como prometido, mesmo que com um dia de atraso, esta edição do papo xapuriense traz o professor universitário Carlos Estevão Ferreira Castelo.
Acompanhe abaixo os principais trechos do papo:
Maxsuel: A tua tese de doutorado é voltada a Xapuri?
Carlos: Sim, surgiu a oportunidade de fazer esse doutorado pela USP, que é uma universidade conceituadíssima do Brasil e eu resolvi fazer, mesmo não estando na minha zona de conforto, afinal, sou economista e o doutorado é na área de História, mas tenho estudado bastante e nesse início de trabalho já tenho levantado muita coisa boa. Estou trabalhando com entrevistas de história oral, com ênfase nas histórias de vida, meu interesse é mostrar o que mudou no modo de vida dos seringueiros nesse período após a morte de Chico Mendes. Ainda estou na fase de levantamento de dados, mas já tenho identificado coisas bem interessantes, como os hábitos de consumo, por exemplo, todos os seringueiros com quem conversei querem ter uma moto, uma antena parabólica, é o chamado desejo de cidade.
Maxsuel: Já que começamos falando sobre histórias de vida, gostaria que você falasse um pouco sobre sua trajetória.
Carlos: Bem, nasci em Xapuri e sempre estudei no Divina Providência, até o primeiro ano do segundo grau, quando me mudei pra Rio Branco para terminar o segundo grau e me preparar para entrar na universidade. Da minha turma do segundo grau a grande maioria queria entrar na universidade no curso de economia e eu fui no embalo, fiz o vestibular pra economia e passei, pra surpresa de todos, inclusive da minha família que queria que eu fosse médico. No início não me identifiquei com o curso, mas aos poucos fui gostando, naquela época os professores do curso participavam muito da reflexão sobre o desenvolvimento do estado e eu comecei a achar interessante todos aqueles debates políticos e econômicos, esquerda contra direita e aí consegui concluir o curso. Assim que terminei a graduação surgiu um concurso para professor substituto da UFAC, eu fiz e passei. Um ano depois abriu um novo concurso, dessa vez para professor efetivo, aí eu já estava gostando da economia e mais do que isso: da educação, isso é o que me motivava e me motiva até hoje, essa questão do ensino-aprendizagem, da educação me interessa e me motiva muito, mais até do que a pesquisa. Depois de aprovado como professor efetivo, estava na hora do mestrado e aí fiz a seleção para o mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina e passei, foi uma experiência muito válida, estudei muito sobre gestão empresarial, engenharia econômica e comecei a estudar sobre um tema que estava na moda naquele tempo que era o Empreendedorismo, tinha até decidido fazer meu doutorado sobre esse tema, mas acabou não dando certo por que tive que assumir a coordenação do curso de economia, o que não foi muito bom pra mim. Depois de dois anos saí da coordenação e continuo na UFAC como professor. Na verdade sempre trabalhei como professor e pesquisador, mas como no mestrado estudei muito sobre engenharia de produção, tive contato e estudei um pouco sobre ferramentas de gestão empresarial, que são muito utilizadas principalmente por indústrias, por isso comecei a ser chamado para dar palestras e consultorias nessa área, mas o que eu gosto mesmo é da sala de aula, lá é onde me sinto mais à vontade.
Maxsuel: E quando você chega a Xapuri hoje, com toda essa bagagem técnica e teórica, como enxerga a cidade?
Carlos: Olha, eu tenho uma ligação com Xapuri muito grande, boa parte da minha família mora lá e eu sempre estou em Xapuri. As pessoas podem não me ver muito por lá, mas é por que fico mais em casa, não sou muito de sair à noite, mas tenho um vínculo muito forte com Xapuri, tanto que por todos os lugares do Brasil que eu ando, todos os colegas me chamam logo de xapuriense, lá vem o xapuriense...(risos). E por essa ligação eu sempre tive algo dentro de mim que queria fazer alguma coisa por Xapuri, mas algo concreto, e tive a oportunidade de fazer agora com essa orientação aos alunos do curso de economia. Dos professores efetivos do curso, apenas dois ou três toparam participar do projeto e eu fui um deles, só porque era Xapuri. Eu já tinha tentado ajudar antes, participando do grupo que o Rubinho criou, o "Filhos e amigos de Xapuri”, mas por alguns motivos esse grupo não foi adiante e aí eu queria de alguma forma retribuir alguma coisa pra Xapuri, essa orientação me deu essa sensação de poder ajudar Xapuri. Sobre a situação atual, acho que faltam iniciativas e participação popular, se ficar esperando que o prefeito A ou B resolva sozinho os problemas da cidade, a coisa não anda, tem que haver mais interesse da população, mais envolvimento nas decisões sobre o futuro que queremos para nossa cidade, que futuro nós queremos? Acho também que estamos tendo uma oportunidade única que inclusive já está passando, que são os governos da Frente Popular, esses governos poderiam ter sido mais aproveitados pelas pessoas que administraram Xapuri, o cavalo está passando celado e nós não montamos e estamos o deixando passar. Outra coisa que gostaria de citar é o modelo de gestão, vejo muito gerencialismo, enquanto que a gestão social é deixada de lado. O gerencialismo consiste em levar ferramentas do setor privado para dentro da administração pública, pode até ser interessante, mas as pessoas acabam esquecendo que um cidadão é muito maior do que um cliente satisfeito. No Acre o gerencialismo se tornou muito forte, tanto é que se criou a figura do Gestor Público, o governo financia para seus assessores cursos de gestão de projetos, enfim, só ferramentas utilizadas na gestão privada, enquanto a participação popular é esquecida. Em Xapuri seria muito interessante abrir as decisões sobre a cidade para a população, porque quando você envolve a população você compromete as pessoas, mas é abrir de verdade, abrir o orçamento, mostrar quanto o município tem e decidir junto com o povo onde esses recursos serão investidos. Eu sou muito cuidadoso em relação a criticar as administrações, apontar soluções, dizer que o caminho certo é esse ou aquele, acho que isso é um processo de construção que tem que ser discutido por toda a população de Xapuri.
Maxsuel: Certa vez vi uma frase sua no twitter que dizia algo sobre Xapuri receber royalties do governo do estado. Como seria isso?
Carlos: É uma brincadeira que fiz (risos), mas uma brincadeira com muito sentido. Se você pegar os projetos elaborados pelos governos da Frente Popular, que foram enviados ao Banco Mundial e a outras instituições de crédito com o fim de receber financiamentos, você vai notar uma evidência muito forte, evidência é algo que se repete e essa evidência é o nome de Xapuri e o nome de Chico Mendes. O governo se utilizou em larga escala desses dois nomes para conseguir atrair muito dinheiro para o Acre, nem acho que isso seja errado, é legítimo, só acho que muito pouco desse dinheiro foi direcionado para Xapuri, muita pouca coisa, por isso que falei que deveriam pagar royalties pra Xapuri pelo tanto que ela teve seu nome explorado para trazer dinheiro pro Acre. Aí é onde entra a falta de iniciativa, faltou um pouco de coragem dos nossos gestores pra bater na mesa e cobrar do governo mais investimento, mais recursos, apresentar projetos, afinal, nosso nome pode ser usado, mas nossos problemas também precisam ser resolvidos, e uma coisa é certa: Dinheiro tem. Nessa perspectiva, acho que os governos da Frente Popular poderiam ter olhado com mais carinho para Xapuri, principalmente o governo Binho, que eu acho que não foi nada generoso com nossa cidade.
Maxsuel: E o cenário político? Se a Frente Popular sair do poder “o cavalo” terá passado de vez?
Carlos: Independentemente do partido A ou B, do candidato A ou B, acho que o que importa é ter iniciativa e participação popular. Capacidade técnica é importante sim, mas é preciso também ter capacidade política, não adianta ser doutor em gestão e não reunir outros elementos fundamentais. Ouço as pessoas falando: “o Angelim é técnico, o Bira é um bom técnico", só isso não adianta. Claro que não adianta também ser desprovido de qualquer conhecimento técnico, tem que saber unir as coisas. O Lula, por exemplo, não era um técnico, mas conseguiu reunir uma boa equipe para fazer as coisas acontecerem. Então, um prefeito que tenha iniciativa, capacidade de trabalho e que envolva a população pode fazer Xapuri avançar muito. Com a população comprometida, unida, brigando junto, não teria acontecido, por exemplo, o que aconteceu na época do Vanderlei, quando o governo do estado virou as costas pro município. Se naquela ocasião o povo tivesse envolvido não teria permitido aquilo, teria ido pra BR e fechado aquele acesso pra Brasiléia. Mas o que acontece é que a população fica esperando que o prefeito resolva, que o governador resolva. A sociedade precisa se tornar protagonista nas decisões da cidade. A primeira coisa que eu acho que um prefeito deveria fazer quando eleito em Xapuri, era chamar todo mundo, lotar o ginásio coberto e perguntar pro povo: que cidade nós queremos? que futuro nós queremos? estabelecer uma visão de futuro e chamar a população pra trabalhar juntos, assim você teria força pra chegar em qualquer governador e exigir os royalties, por exemplo, ou a ponte da Sibéria, aí sim você teria legitimidade e força política pra e pedir e cobrar.
Maxsuel: Falando em ponte, será que sai?
Carlos: Acho difícil. Ainda não parei pra pensar e formar uma opinião sobre a construção dessa ponte, mas já li que algumas figuras importantes como o senador Jorge Viana e a Marina Silva têm posicionamento contrário a essa construção. Não sei o que o governador pensa, não sei se já estudaram os impactos ambientais que essa ponte pode causar, o certo é que se permitirem o tráfego de caminhões pesados naquela área, isso pode trazer problemas, principalmente com desmatamento. Independentemente do que digam os governantes e políticos sobre essa ponte, eu fico com a fala de um morador daquela área, lá de dentro, que em uma entrevista me disse: “essa ponte, meu filho, vai tirar o meu sossego”, percebi nessa frase muita sabedoria. É claro que o bairro da Sibéria seria muito beneficiado, afinal, dez horas da noite não tem mais catraia e se você tiver uma crise de saúde, por exemplo, você não tem como atravessar para ir ao hospital. Essa questão tem que ser estudada a fundo, eu particularmente ainda não tenho uma opinião formada sobre esse assunto.
Maxsuel: Você acaba de orientar uma turma de jovens economistas xapurienses. Como você analisa o ensino superior em Xapuri e as políticas voltadas para a juventude?
Carlos: Os cursos de nível superior, mesmo com todos os problemas são válidos. Se eu pudesse dar um conselho para um jovem xapuriense, eu diria: estude, a educação é importante em todos os momentos, inclusive para aprender a pensar de forma crítica, a educação é a chave de tudo. A juventude de Xapuri tem me preocupado muito, a cada vez que vou lá fico impressionado com algumas coisas que vejo. Vai lá ao Mirantes depois da meia noite pra você ver, o cenário é preocupante: alcoolismo, prostituição e drogas. Acho que os gestores deveriam olhar com mais carinho para essa questão. Xapuri tem um nome muito forte, poderia usar melhor o nome que tem para dar mais opções de lazer e cultura para sua juventude. A vida é feita de escolhas e se o poder público não proporcionar opções para que os jovens possam fazer as melhores escolhas, eles vão acabar escolhendo o caminho errado, o ambiente tem conspirar a favor, precisam ser criadas novas opções para a juventude, algo diferente da mesmice das boates e dos carnavais fora de época, por exemplo.
Carlos Estevão Ferreira Castelo é professor universitário, xapuriense, filho do seu Estevão Castelo e da dona Aurélia Ferreira. Mesmo sendo meu primo legítimo, só tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente no dia deste papo xapuriense. Como pode ser percebido ao longo do papo, Carlos Estevão é um sujeito de idéias esclarecidas, com ampla bagagem teórica e cultural.
Percebi nele apenas um devaneio : É torcedor apaixonado do Botafogo.